segunda-feira, 5 de outubro de 2026

  

Ser aparecendo

 

Caminho, percebo e paro

eu pareço um caminhante

bebo, percebo e reparo

eu pareço, então, um bêbado

 

em um momento, fica claro:

interrompi o ser parecendo

não reparei a angústia sendo

mas percebendo o que pareço

 

e pareço sempre em parte

por fim, só sei que apareço

aí reparo na aparência

e isso apenas me reparte

 

tento ser o que pareço

daí aparo esse meu ser

por estar parado, adoeço

parece que irei perecer

 

quando arde estar parado

caminho e sinto o ar

apareço então me sendo

e vou me sendo sem parar

 

(José Francisco Cangussu nasceu em Porto Alegre, no dia 28 de fevereiro de 2003. É formado em Ciências Sociais pela UFRGS. Seus poetas preferidos são Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Reiner Maria Rilke e Cecília Meirelles).


9 comentários:

  1. Gostei do poema Francisco, parabéns!

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  2. Lindo poema, Chico ❤️

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  3. Acabei de ler o Chico!! Lindo poema, ritmado e verdadeiro! Aguardo os próximos, meu amigo!

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  4. Parabéns pequeno grande Chico !

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  5. Eduarda Tessari Pereira5 de outubro de 2026 às 11:58

    bravo!!! 👏👏

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  6. Fui professor de Criative Writing por muitos anos. Uma pena que o Chico chegou depois. Ele tem o "senso" da linguagem poética, o ritmo, a música dos fonemas em dança perpétua. Vida longa à obra de José Francisco Cangussu, um nome que em si mesmo já é poético.

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  7. Muito lindo, Chico querido!

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  8. A luta renhida que brota das entranhas mais profundas entre o ser e o parecer tornada consciência, verdadeiro despertar filosófico sem superficialidade, sem rococós, sem faz-de-conta... parabéns Chico por este lindo e intenso despertar interior...

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