sábado, 7 de novembro de 2026

Poema de Lorean Linchen

 Aqui principia

uma nova caminhada

sob a Luz do dia.


Não existe nada

que me impeça de andar.

Nenhum fio de espada


ou monstro do mar.

Neste caminho de terra,

de água, de ar,


feliz é quem erra

sem medo. Quem ama, cria.

e não se aferra.


Comprei alforria.

Concebi a unidade.

Na sabedoria,


a felicidade,

um sorriso de ventura

que não tem idade.


A doce ternura,

irradiando perfumes,

nos traz a fartura.


Pescamos cardumes,

colhemos em abundância

frutas e legumes,


sem pressa ou ânsia.

O eu e o nós, unidos:

sabor e fragrância,


os cinco sentidos.

Se eu-em-nós caminhamos,

por todos os lados


veremos os ramos

de uma fonte mais vasta

que é o que somos.


Agora não basta

um pequenino querer,

que tão-só devasta


aquele poder

de fazer mais do que cremos,

de desenvolver


aquilo que temos

à máxima expressão.

Saúde! Cantemos!


Chegou o verão!

A estação das brasas,

da revolução!


Serão nossas casas

como palácios reais.

Serão como asas


que nos trazem mais

perto da fonte do ser.

Aquilo que atrais,


que desejas ter

já te pertence, nalgum

plano. Conhecer


o que é ser um

consigo mesmo, talvez

seja incomum.


Talvez lucidez

ou o fogo corrosivo

da insensatez.


Não sejas passivo

ao absorveres o mundo.

Quem sabe ser vivo


vai até o fundo

da própria inquietude.

Se torna fecundo,


sorri amiúde.

Revela o próprio brilho.

A infinitude


da senda que trilho

expande até os versos

deste andarilho.


Por confins adversos

cantei delícias e dores,

fugi dos perversos.


Paguei os credores

com moedas que ganhei,

com meus dissabores.


Agora sou rei.

Sou a pessoa que fui

e a que serei.


(Lorean Linchen nasceu no município de Torres/RS, em 06/12/1989. É autor dos livros "Mil Grous" [2015], "O fogo era uma sombra" [2020] e "Caderno azul de poesia" [2026]. Entre os poetas da sua biblioteca estão Nâzım Hikmet, Walt Whitman, Gonçalves Dias e Jorge Luis Borges.)