Aqui principia
uma nova caminhada
sob a Luz do dia.
Não existe nada
que me impeça de andar.
Nenhum fio de espada
ou monstro do mar.
Neste caminho de terra,
de água, de ar,
feliz é quem erra
sem medo. Quem ama, cria.
e não se aferra.
Comprei alforria.
Concebi a unidade.
Na sabedoria,
a felicidade,
um sorriso de ventura
que não tem idade.
A doce ternura,
irradiando perfumes,
nos traz a fartura.
Pescamos cardumes,
colhemos em abundância
frutas e legumes,
sem pressa ou ânsia.
O eu e o nós, unidos:
sabor e fragrância,
os cinco sentidos.
Se eu-em-nós caminhamos,
por todos os lados
veremos os ramos
de uma fonte mais vasta
que é o que somos.
Agora não basta
um pequenino querer,
que tão-só devasta
aquele poder
de fazer mais do que cremos,
de desenvolver
aquilo que temos
à máxima expressão.
Saúde! Cantemos!
Chegou o verão!
A estação das brasas,
da revolução!
Serão nossas casas
como palácios reais.
Serão como asas
que nos trazem mais
perto da fonte do ser.
Aquilo que atrais,
que desejas ter
já te pertence, nalgum
plano. Conhecer
o que é ser um
consigo mesmo, talvez
seja incomum.
Talvez lucidez
ou o fogo corrosivo
da insensatez.
Não sejas passivo
ao absorveres o mundo.
Quem sabe ser vivo
vai até o fundo
da própria inquietude.
Se torna fecundo,
sorri amiúde.
Revela o próprio brilho.
A infinitude
da senda que trilho
expande até os versos
deste andarilho.
Por confins adversos
cantei delícias e dores,
fugi dos perversos.
Paguei os credores
com moedas que ganhei,
com meus dissabores.
Agora sou rei.
Sou a pessoa que fui
e a que serei.
(Lorean Linchen nasceu no município de Torres/RS, em 06/12/1989. É autor dos livros "Mil Grous" [2015], "O fogo era uma sombra" [2020] e "Caderno azul de poesia" [2026]. Entre os poetas da sua biblioteca estão Nâzım Hikmet, Walt Whitman, Gonçalves Dias e Jorge Luis Borges.)
Lindíssimo poema, consegui entender nas entrelinhas... lindo demais!
ResponderExcluirLindo poema, parabéns!
ResponderExcluir